A transformação digital alterou profundamente as relações sociais, econômicas e jurídicas. Atualmente, as pessoas utilizam smartphones, computadores, aplicativos, redes sociais e serviços em nuvem para realizar atividades pessoais e profissionais.

Como resultado, grande parte das informações relevantes para uma relação jurídica permanece registrada em ambientes digitais. Fotografias, vídeos, mensagens instantâneas, documentos eletrônicos, registros de localização, históricos de navegação e logs podem, portanto, fornecer informações importantes para a solução de conflitos.

Entretanto, a utilização desses elementos como prova exige atenção. Um arquivo digital pode sofrer alterações, receber novas informações, perder metadados ou simplesmente desaparecer. Além disso, uma representação visual do conteúdo não necessariamente revela sua origem ou seu histórico.

Por essa razão, o profissional do Direito precisa compreender não apenas o conteúdo da prova digital, mas também a forma como alguém obteve, preservou e analisou esse conteúdo.

A importância da prova digital

A prova digital apresenta características próprias. Diferentemente de muitos documentos físicos, os dados digitais podem ser copiados inúmeras vezes sem perda aparente de qualidade. Além disso, sistemas e aplicativos podem alterar ou atualizar determinadas informações automaticamente.

Consequentemente, o advogado precisa avaliar a origem e a integridade dos dados antes de atribuir determinado grau de confiabilidade à evidência.

Nesse sentido, os materiais técnicos utilizados neste estudo destacam a importância dos procedimentos de identificação, coleta, aquisição e preservação das evidências digitais. A ABNT NBR ISO/IEC 27037:2013 aparece como referência técnica para essas etapas.

O papel da Computação Forense

A Computação Forense aplica conhecimentos técnicos e científicos à identificação, preservação, aquisição, análise e apresentação de evidências digitais.

Assim, a área estabelece uma ponte entre a tecnologia e o Direito. O perito utiliza ferramentas e métodos específicos para examinar os dados, enquanto o advogado utiliza os resultados técnicos para construir argumentos, formular quesitos e questionar conclusões.

Portanto, o conhecimento básico da Computação Forense tornou-se importante para o exercício da advocacia contemporânea.

Objetivo do estudo

Este artigo tem como objetivo apresentar 50 termos fundamentais da Computação Forense que todo advogado precisa conhecer.

Além de definir cada conceito, o trabalho relaciona os termos à prática jurídica. Dessa maneira, o leitor poderá compreender como conceitos técnicos aparentemente complexos podem interferir diretamente na análise da prova.


METODOLOGIA

O presente artigo utiliza abordagem qualitativa, com caráter descritivo e exploratório. Para desenvolver o estudo, foram utilizados procedimentos de pesquisa bibliográfica e documental.

A pesquisa considerou materiais técnicos relacionados à Computação Forense, à Perícia Digital, à prova eletrônica e à preservação de evidências digitais.

Seleção dos conceitos

Inicialmente, foram identificados conceitos recorrentes nos materiais técnicos analisados. Em seguida, o estudo selecionou aqueles que apresentam maior relevância para a atuação jurídica.

Dessa forma, a seleção não procurou transformar o advogado em especialista em tecnologia. Ao contrário, buscou fornecer uma base conceitual que permita ao profissional compreender a linguagem utilizada em perícias digitais.

Referências técnicas

Entre as referências consideradas, destaca-se a ABNT NBR ISO/IEC 27037:2013, que apresenta diretrizes relacionadas à identificação, coleta, aquisição e preservação de evidências digitais.

Além disso, os materiais analisados abordam ferramentas, procedimentos, cadeia de custódia, integridade, metadados, extração de dispositivos móveis e elaboração de documentos periciais.


OS 50 TERMOS QUE TODO ADVOGADO PRECISA CONHECER

Conceitos fundamentais

1. Computação Forense

A Computação Forense utiliza conhecimentos técnicos e científicos para identificar, preservar, adquirir, analisar e apresentar evidências digitais.

Para o advogado, portanto, a área representa o campo técnico que permite compreender como especialistas examinam informações provenientes de computadores, smartphones, servidores e outros dispositivos.


2. Perícia Digital

A Perícia Digital consiste no exame técnico-científico de elementos digitais para esclarecer determinada questão.

O exame pode envolver computadores, smartphones, servidores, mídias, redes, arquivos, imagens, vídeos e áudios.

Assim, a perícia pode fornecer informações relevantes para a tomada de decisões em processos judiciais e investigações.


3. Evidência Digital

A evidência digital corresponde à informação existente em meio digital que apresenta potencial interesse probatório ou investigativo.

Mensagens, fotografias, vídeos, documentos, registros de acesso e informações armazenadas em dispositivos constituem exemplos possíveis.

Entretanto, a existência de uma informação não comprova automaticamente sua autenticidade.


4. Vestígio Digital

O vestígio digital corresponde ao elemento ou registro produzido ou deixado por determinada atividade realizada em ambiente digital.

Por exemplo, um histórico de navegação, um arquivo temporário ou um registro de acesso pode fornecer informações relevantes para uma investigação.


5. Cadeia de Custódia

A cadeia de custódia registra o histórico da evidência desde sua identificação até sua apresentação.

Nesse processo, os responsáveis devem documentar a coleta, o armazenamento, o transporte, o manuseio e os demais procedimentos relevantes.

Os materiais analisados destacam a importância desse mecanismo para rastrear a posse e o tratamento do vestígio.

Por isso, o advogado deve perguntar:

Quem coletou a evidência?

Quando ocorreu a coleta?

Quem teve acesso ao material depois da coleta?

Quais procedimentos protegeram o vestígio?


6. Integridade

A integridade demonstra que os dados analisados correspondem ao material originalmente coletado e não sofreram alterações indevidas.

Nesse contexto, ferramentas criptográficas, especialmente funções de hash, podem auxiliar o perito na verificação da integridade.


7. Autenticidade

A autenticidade demonstra a relação entre a evidência e sua origem atribuída.

Assim, quando alguém apresenta uma mensagem como proveniente de determinado usuário, o exame deve considerar quais elementos técnicos sustentam essa atribuição.


8. Rastreabilidade

A rastreabilidade permite acompanhar o percurso da evidência desde sua identificação até sua apresentação.

Quanto melhor a documentação desse percurso, maior será a capacidade de terceiros compreenderem o tratamento que a evidência recebeu.


9. Hash

O hash utiliza uma função matemática para produzir uma representação do conteúdo de determinado arquivo ou conjunto de dados.

Quando alguém altera o conteúdo, o cálculo pode produzir outro valor.

Por isso, o perito pode utilizar o hash para auxiliar na verificação da integridade dos dados.


10. Imagem Forense

A imagem forense consiste em uma cópia técnica de uma mídia ou dispositivo.

O perito utiliza essa cópia para realizar exames sem precisar trabalhar diretamente sobre o material original.

Dessa maneira, a técnica pode reduzir o risco de alterações no original durante a análise.


Aquisição e preservação

11. Aquisição Forense

A aquisição forense consiste na obtenção técnica dos dados existentes em determinado dispositivo ou mídia.

O procedimento procura preservar as características relevantes do material.

Assim, antes de analisar os dados, o advogado deve compreender como o perito os obteve.

Os materiais analisados apresentam a aquisição como uma etapa fundamental do processo pericial.


12. Coleta

A coleta corresponde à obtenção dos elementos digitais que serão examinados.

Contudo, o profissional não deve confundir coleta com simples cópia de arquivos. A coleta exige procedimentos adequados para preservar as características relevantes do vestígio.


13. Preservação

A preservação reúne as medidas destinadas a manter a evidência em condições adequadas para análise posterior.

Nesse sentido, o responsável deve considerar que determinados dados podem sofrer alterações durante o funcionamento normal do dispositivo.


14. Ordem de Volatilidade

A ordem de volatilidade indica a prioridade de coleta conforme a possibilidade de determinado dado desaparecer ou sofrer alteração.

Assim, o profissional deve avaliar primeiro as informações que apresentam maior risco de perda.

Os materiais analisados destacam que o desligamento prematuro de um equipamento pode comprometer informações voláteis.


15. Dados Voláteis

Dados voláteis podem desaparecer ou sofrer alterações rapidamente.

Informações presentes na memória RAM, processos ativos e determinados registros temporários constituem exemplos.

Por conseguinte, o perito precisa considerar a volatilidade ao definir sua estratégia de aquisição.


Metadados e informações técnicas

16. Metadados

Metadados descrevem características de outros dados.

Um arquivo pode conter informações relacionadas a data, horário, dispositivo, localização, formato e tamanho.

Dessa forma, os metadados podem auxiliar na análise da origem e das características de determinado arquivo.


17. Metadados Descritivos

Os metadados descritivos identificam ou descrevem determinado recurso.

Podem indicar, por exemplo, título, autor, palavras-chave e identificadores.


18. Metadados Estruturais

Os metadados estruturais descrevem a organização de recursos compostos por diferentes elementos.

Assim, podem auxiliar na compreensão das relações existentes entre os componentes de determinado recurso digital.


19. Metadados Administrativos

Os metadados administrativos fornecem informações relacionadas ao gerenciamento de recursos digitais.

Por exemplo, podem contribuir para a compreensão de aspectos relacionados à criação, manutenção e gestão do recurso.


20. Log

O log registra eventos ocorridos em determinado sistema, aplicativo ou equipamento.

Assim, os logs podem registrar acessos, erros, alterações, conexões e outras atividades.

Consequentemente, o perito pode utilizá-los para reconstruir acontecimentos digitais.


21. Linha do Tempo ou Timeline

A timeline organiza cronologicamente os eventos encontrados durante uma análise.

Dessa maneira, o profissional consegue relacionar diferentes acontecimentos e verificar sua sequência temporal.

Por exemplo, a timeline pode ajudar a determinar quando alguém criou, acessou ou modificou determinado arquivo.


22. Artefato Digital

O artefato digital corresponde a um elemento produzido ou deixado por uma atividade realizada em ambiente digital.

Históricos de navegação, arquivos temporários, registros de aplicativos e informações de sistema constituem exemplos.

Portanto, mesmo um elemento aparentemente secundário pode adquirir importância conforme o objeto da investigação.


Recuperação e análise de dados

23. Recuperação de Arquivos Apagados

A recuperação de arquivos apagados utiliza técnicas destinadas a localizar informações que o usuário excluiu logicamente.

Entretanto, nem todo arquivo apagado permanece recuperável. A possibilidade depende das características da mídia, do sistema de arquivos e das condições existentes no momento do exame.


24. Indexação

A indexação organiza os dados para facilitar sua pesquisa e análise.

Consequentemente, o profissional consegue pesquisar grandes volumes de informações com maior eficiência.

Os materiais analisados destacam a utilização da indexação para organizar dados e aplicar filtros e pesquisas por palavras-chave.


25. Pesquisa por Palavra-Chave

A pesquisa por palavra-chave permite localizar termos específicos dentro de grande quantidade de dados.

Assim, o perito consegue reduzir o universo inicial de informações e concentrar a análise em elementos potencialmente relevantes.

Todavia, o profissional precisa interpretar os resultados considerando o contexto e as limitações da ferramenta.


26. Triagem Forense

A triagem forense realiza uma avaliação inicial dos dados para localizar elementos potencialmente relevantes.

Dessa forma, o perito consegue estabelecer prioridades e definir melhor o escopo da análise.

Contudo, a triagem não representa necessariamente uma conclusão definitiva sobre todo o conteúdo examinado.


Dispositivos móveis

27. Forense em Dispositivos Móveis

A Forense em Dispositivos Móveis analisa smartphones, tablets e outros equipamentos semelhantes.

Nesse ambiente, o perito pode examinar mensagens, chamadas, fotografias, vídeos, localização, aplicativos, bancos de dados e outros artefatos.

Por isso, essa área possui grande importância para o Direito contemporâneo.


28. Extração Forense

A extração forense obtém tecnicamente informações existentes em determinado dispositivo.

O método utilizado pode variar conforme o aparelho, o sistema operacional, a versão do software e as condições de acesso.

Assim, o profissional deve registrar e explicar adequadamente o método empregado.


29. UFDR

UFDR corresponde a um formato associado a relatórios estruturados utilizados em determinados fluxos de análise de dados, especialmente na plataforma Cellebrite.

Entretanto, o advogado não deve confundir automaticamente o relatório com o conjunto originário da aquisição.

Em outras palavras, a existência de um arquivo UFDR não demonstra, por si só, a completude da extração.


30. Arquivo de Extração

O arquivo de extração reúne os dados obtidos durante determinado procedimento de aquisição.

Para realizar uma análise independente, o profissional pode precisar conhecer o método utilizado, a ferramenta, a versão do software e os registros técnicos correspondentes.


31. Cellebrite

Cellebrite é uma plataforma tecnológica utilizada para extração e análise de dados digitais, especialmente em dispositivos móveis.

Todavia, a simples indicação da ferramenta não explica como o profissional realizou o procedimento.

Por isso, o advogado deve questionar o método, a versão utilizada e os dados efetivamente obtidos.


Ferramentas forenses

32. Autopsy

Autopsy é uma plataforma utilizada para processamento e análise de evidências digitais.

A ferramenta pode auxiliar na recuperação de arquivos, pesquisa por palavras-chave, análise de histórico e exame de metadados.


33. IPED

IPED significa Indexador e Processador de Evidências Digitais.

A ferramenta processa e indexa evidências digitais, facilitando a organização e a localização de informações.

Assim, ela pode auxiliar o profissional que precisa examinar grandes volumes de dados.


34. PALADIN

PALADIN é uma distribuição Linux voltada para atividades relacionadas à Computação Forense.

Os materiais analisados mencionam sua utilização em tarefas de aquisição, geração de imagens, exame e elaboração de relatórios.


35. FTK Imager

FTK Imager é uma ferramenta utilizada principalmente em processos de aquisição e geração de imagens de mídias.

Dessa forma, pode auxiliar na obtenção técnica dos dados que posteriormente passarão por análise.


Inteligência e análise especializada

36. OSINT

OSINT significa Open Source Intelligence, ou inteligência baseada em fontes abertas.

A técnica envolve a coleta e análise de informações disponíveis publicamente.

No campo jurídico, o profissional pode utilizá-la em investigações e diligências. Entretanto, deve respeitar os limites legais aplicáveis.


37. Forense de Memória

A Forense de Memória analisa informações existentes na memória de determinado sistema.

Assim, pode revelar processos ativos, conexões, informações temporárias e outros elementos que não permanecem necessariamente armazenados no disco.


38. Forense de Áudio

A Forense de Áudio aplica técnicas periciais sobre arquivos sonoros.

Dependendo do objeto do exame, o especialista pode analisar características técnicas, cortes, edição, qualidade e outros elementos.

Por conseguinte, a análise deve considerar a finalidade específica da perícia.


39. Forense Audiovisual

A Forense Audiovisual examina tecnicamente imagens e vídeos.

O profissional pode analisar metadados, características do arquivo, qualidade, sequência temporal e possíveis alterações.

Assim, a análise ultrapassa aquilo que o observador consegue perceber visualmente.


40. Fotogrametria Forense

A Fotogrametria Forense utiliza imagens ou vídeos para realizar medições e estimativas espaciais.

Os materiais analisados indicam aplicações relacionadas à altura, distância, trajetória e posicionamento.


41. Prosopografia Forense

A Prosopografia Forense analisa características humanas, especialmente características faciais, para fins de comparação.

Entretanto, a qualidade da conclusão depende das imagens disponíveis, das características analisadas e da metodologia empregada.


42. Deepfake

Deepfake consiste em uma manipulação digital que pode utilizar inteligência artificial para criar ou modificar imagens, vídeos e áudios com elevado grau de realismo.

Consequentemente, essa tecnologia cria novos desafios para a autenticação da prova digital.

Os materiais analisados apontam o crescimento de casos envolvendo deepfakes como uma tendência relevante para a perícia digital.


Integridade e documentação

43. Validação Criptográfica

A validação criptográfica utiliza mecanismos criptográficos para verificar características de determinado conjunto de dados.

Nesse contexto, o procedimento pode auxiliar o profissional na demonstração da integridade da evidência.


44. Documentação Técnica

A documentação técnica registra os procedimentos realizados durante a perícia.

Por isso, o documento deve permitir que terceiros compreendam o objeto analisado, os métodos empregados, os resultados encontrados e as conclusões alcançadas.

Quanto mais clara e completa for a documentação, maior será a possibilidade de auditoria técnica.


Documentos e contraditório

45. Laudo Pericial

O laudo pericial apresenta os resultados de determinado exame técnico.

Os materiais analisados destacam a necessidade de apresentar o objeto da perícia, a análise técnica ou científica, o método empregado e as respostas aos quesitos.

Assim, o advogado deve analisar não apenas a conclusão, mas também o caminho técnico utilizado para alcançá-la.


46. Parecer Técnico

O assistente técnico elabora o parecer técnico para apresentar a análise da parte sobre o trabalho pericial.

Dessa maneira, o documento pode concordar com as conclusões do perito ou apresentar divergências e questionamentos.

Os materiais analisados destacam a importância do assistente técnico na análise do trabalho pericial.


47. Quesitos

Quesitos são perguntas formuladas para orientar e delimitar as respostas do perito.

Por isso, o advogado deve elaborar perguntas objetivas, claras e relacionadas diretamente ao objeto da perícia.

Além disso, bons quesitos podem ajudar a esclarecer aspectos que a conclusão inicial não abordou adequadamente.


48. Contraditório Técnico

O contraditório técnico permite que a parte questione os aspectos técnicos relacionados à evidência.

Nesse sentido, o questionamento pode alcançar a origem dos dados, a ferramenta utilizada, a versão do software, o método de aquisição, a preservação, o hash, os metadados e a cadeia de custódia.

Portanto, o contraditório técnico não se limita à discussão da conclusão final.


49. Validade Jurídica da Prova Digital

A validade jurídica da prova digital não depende exclusivamente da existência de um arquivo ou de sua apresentação visual.

Ao contrário, o profissional deve considerar autenticidade, integridade, rastreabilidade, metodologia de obtenção, documentação e possibilidade de contraditório.

Os materiais analisados destacam esses elementos como relevantes para a confiabilidade da evidência digital.


50. Quebra da Cadeia de Custódia Digital

A quebra da cadeia de custódia ocorre quando falhas relevantes comprometem a documentação, a preservação, o manuseio ou a rastreabilidade da evidência.

Como consequência, essas falhas podem dificultar a demonstração de que o material apresentado corresponde ao vestígio originalmente coletado.

Os documentos periciais analisados apontam que problemas relacionados à preservação do dispositivo, alterações posteriores, integridade cronológica e possibilidade de manipulação podem fragilizar a autenticidade e a confiabilidade da prova digital.


COMO O ADVOGADO DEVE ANALISAR UMA PROVA DIGITAL?

O conhecimento dos 50 termos apresentados permite estabelecer uma sequência prática de análise.

Identifique a origem

Primeiramente, o advogado deve descobrir de onde veio a evidência.

Nesse momento, precisa identificar o dispositivo, sistema, aplicativo ou ambiente digital que originou a informação.

Verifique a preservação

Em seguida, deve verificar quais medidas protegeram o dispositivo ou arquivo.

Essa etapa importa porque determinadas ações podem modificar informações existentes no equipamento.

Examine a aquisição

Depois disso, o profissional deve compreender como alguém obteve os dados.

Assim, deve procurar informações sobre o método, a ferramenta utilizada e a versão do software.

Analise a integridade

Além disso, deve verificar os mecanismos utilizados para demonstrar que os dados permaneceram íntegros.

Quando aplicável, o hash pode fornecer uma referência importante para essa análise.

Examine os metadados

Posteriormente, o advogado deve verificar quais metadados permanecem disponíveis.

Essas informações podem contribuir para compreender características do arquivo, embora o profissional também precise avaliar sua confiabilidade e seu contexto.

Verifique a cadeia de custódia

Da mesma forma, deve examinar quem coletou, armazenou, transportou e analisou a evidência.

Essa análise permite identificar eventuais lacunas na rastreabilidade.

Verifique a possibilidade de auditoria

Por fim, o advogado deve perguntar se outro profissional qualificado conseguiria examinar os dados e compreender o caminho técnico utilizado.

Essa possibilidade fortalece o contraditório técnico.


PRINTSCREEN É PROVA PERICIAL?

A captura de tela, popularmente chamada de “print”, representa visualmente determinada informação.

Entretanto, a imagem não necessariamente contém todos os elementos capazes de demonstrar sua origem, seu contexto e sua integridade.

Por isso, o advogado não deve limitar a análise à pergunta:

“O print é verdadeiro?”

Em vez disso, deve formular perguntas mais específicas:

  • De qual dispositivo veio o conteúdo?
  • Quem realizou a captura?
  • Quando ocorreu a captura?
  • O dispositivo original permanece disponível?
  • O responsável preservou os dados originários?
  • Existem metadados?
  • Houve extração técnica?
  • Existe documentação da cadeia de custódia?
  • Existem arquivos ou bancos de dados originários?

Dessa maneira, o profissional consegue diferenciar a representação visual da informação da evidência digital originária.

Portanto, a captura de tela pode apresentar relevância jurídica, mas o advogado deve analisar sua origem e seu contexto antes de atribuir determinado valor probatório.


POR QUE A ORDEM DE VOLATILIDADE IMPORTA?

Os dispositivos digitais não permanecem completamente estáticos durante sua utilização.

Pelo contrário, sistemas operacionais, aplicativos, sincronizações, conexões e processos podem alterar determinadas informações.

Consequentemente, o profissional que pretende preservar uma evidência precisa considerar o risco de perda ou alteração dos dados.

Os materiais analisados destacam que procedimentos inadequados, como desligamento prematuro do equipamento, coleta sem metodologia e ausência de documentação, podem comprometer dados relevantes.

O risco da perda de dados

Quando determinada informação apresenta elevada volatilidade, o tempo pode interferir diretamente em sua disponibilidade.

Assim, o perito deve planejar a aquisição de acordo com a natureza dos dados.

Consequências jurídicas

Quando a atuação técnica elimina ou altera informações relevantes, o advogado pode precisar questionar a confiabilidade do material restante.

Por isso, compreender a volatilidade ajuda o profissional do Direito a formular perguntas mais precisas sobre a preservação da evidência.


O PAPEL DO ADVOGADO NA PERÍCIA DIGITAL

O advogado não precisa executar tecnicamente uma perícia digital.

Entretanto, precisa compreender os fundamentos que orientam o trabalho do perito.

Formulação de quesitos

Primeiramente, o conhecimento técnico permite formular quesitos mais específicos.

Em vez de perguntar apenas se determinado arquivo é “verdadeiro”, o advogado pode questionar a origem, a integridade, os metadados, o método de aquisição e a cadeia de custódia.

Análise do laudo

Além disso, o conhecimento dos conceitos técnicos permite que o advogado leia o laudo de maneira crítica.

Assim, pode identificar conclusões que não apresentam fundamentação suficiente ou que ultrapassam os dados efetivamente examinados.

Atuação com o assistente técnico

Da mesma forma, o advogado pode trabalhar de forma mais eficiente com o assistente técnico.

Os materiais analisados destacam que o conhecimento dos fundamentos da perícia permite formular quesitos, interpretar laudos, identificar inconsistências e orientar adequadamente os clientes.

Consequentemente, a cooperação entre advogado, perito e assistente técnico pode melhorar a qualidade do debate probatório.



CONCLUSÃO

A Computação Forense ocupa atualmente posição relevante na análise da prova digital.

Ao longo deste artigo, foram apresentados 50 termos fundamentais que permitem ao advogado compreender melhor a linguagem técnica utilizada em perícias digitais.

Entre esses conceitos, destacam-se a cadeia de custódia, a integridade, a autenticidade, o hash, os metadados, a aquisição forense, a ordem de volatilidade, os logs, a timeline, os artefatos digitais e a extração de dispositivos móveis.

Além disso, ferramentas e técnicas como Cellebrite, Autopsy, IPED, PALADIN, OSINT, Forense de Áudio, Forense Audiovisual e Fotogrametria Forense demonstram a diversidade do campo da Computação Forense.

Entretanto, conhecer essas ferramentas não significa atribuir valor absoluto aos resultados que elas produzem.

Ao contrário, o advogado precisa compreender que toda ferramenta possui métodos, parâmetros, versões e limitações. Por isso, deve analisar o procedimento utilizado pelo profissional responsável pelo exame.

Da mesma forma, o advogado deve examinar a cadeia de custódia e verificar se os responsáveis documentaram adequadamente o percurso da evidência.

Além disso, precisa avaliar a disponibilidade dos dados originários, dos arquivos de extração, dos metadados e dos registros necessários para eventual auditoria.

Nesse sentido, o conhecimento técnico proporciona maior qualidade ao contraditório.

O advogado que domina os conceitos básicos da Computação Forense consegue formular quesitos mais precisos, dialogar melhor com o assistente técnico, compreender as limitações de um laudo e identificar possíveis inconsistências.

Portanto, a aproximação entre Direito e Tecnologia não exige que o advogado se transforme em especialista em informática. Exige, sobretudo, que ele desenvolva conhecimento suficiente para compreender a prova que pretende utilizar ou contestar.

Por fim, a confiabilidade da prova digital depende da combinação entre origem, preservação, integridade, autenticidade, rastreabilidade, metodologia e possibilidade de contraditório.

Assim, quanto maior a presença da tecnologia nas relações jurídicas, maior será também a importância de profissionais do Direito capazes de compreender os fundamentos da Computação Forense.


REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO/IEC 27037:2013: tecnologia da informação — técnicas de segurança — diretrizes para identificação, coleta, aquisição e preservação de evidência digital. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.

BARBOSA, Rodrigo; GUSMÃO, Luiz Eduardo. Tratado de Computação Forense. São Paulo: Millennium Editora, 2016.

BRASIL. Código de Processo Civil. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Brasília, DF: Presidência da República, 2015.

BRASIL. Código de Processo Penal. Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Brasília, DF: Presidência da República, 1941.

OLIVEIRA, Vinícius Machado de. Pareceres técnicos e materiais de Computação Forense e Perícia Digital. Documentos técnicos disponibilizados para análise.


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