O Mapas/PCSC representa um importante avanço na análise cartográfica de Estações Rádio Base (ERBs), permitindo que peritos, assistentes técnicos, delegados, membros do Ministério Público e advogados interpretem registros de telefonia móvel com maior precisão.
Idealizada durante os cursos de Interceptação Telefônica Aplicada da ACADEPOL/SC e desenvolvida por Marcos Peron (na época Policial Civil de Santa Catarina), a ferramenta auxilia na representação cartográfica das informações técnicas fornecidas pelas operadoras em cumprimento a ordens legais.
Como os registros de ERBs são normalmente apresentados em formato tabular, sua interpretação pode ser complexa. Para superar essa limitação, o Mapas/PCSC transforma dados como geolocalização e azimute dos setores irradiantes em representações cartográficas, estimando visualmente a direção e a área de propagação do sinal com base em parâmetros técnicos. Dessa forma, a plataforma padroniza as análises, facilita a interpretação espacial das evidências e apoia a elaboração de pareceres e laudos periciais na área de Perícia Digital e Geolocalização Forense.
A Prova Digital na Investigação Criminal
A prova digital reúne informações produzidas, armazenadas ou transmitidas por dispositivos eletrônicos capazes de contribuir para a reconstrução de fatos relevantes em investigações e processos judiciais.
Inicialmente, o investigador coleta o vestígio digital, composto pelos dados brutos relacionados ao fato investigado. Em seguida, o perito analisa esses vestígios e produz evidências digitais. Posteriormente, o profissional interpreta tecnicamente essas evidências e as incorpora ao laudo pericial, formando a prova técnica que poderá subsidiar a decisão judicial.
Além disso, toda produção de prova deve observar rigorosamente a cadeia de custódia, garantindo autenticidade, integridade, rastreabilidade e confiabilidade das informações.
No Brasil, a Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime) fortaleceu esse procedimento ao incluir os artigos 158-A a 158-F no Código de Processo Penal. Desde então, investigadores e peritos seguem regras específicas para reconhecer, coletar, preservar, documentar e processar vestígios digitais.
Consequentemente, ferramentas como o Mapas/PCSC fortalecem a confiabilidade da análise ao documentar todas as etapas do processamento.
Telefonia Celular
As redes móveis utilizam Estações Rádio Base (ERBs) para estabelecer a comunicação entre dispositivos móveis e a infraestrutura das operadoras.
Cada estação possui setores irradiantes independentes. Cada setor direciona o sinal por meio de um azimute específico e de um ângulo de abertura determinado, definindo a área aproximada de cobertura.
Quando o usuário se desloca, a própria rede executa automaticamente o processo de hand-over, transferindo a conexão entre setores ou ERBs para manter a continuidade da comunicação.
Atualmente, as operadoras utilizam diferentes tecnologias, como GSM (2G), UMTS (3G), LTE (4G) e NR (5G).
Cada tecnologia apresenta características próprias de cobertura, potência, capacidade e propagação do sinal. Além disso, fatores como relevo, edificações, vegetação, congestionamento da rede e condições atmosféricas influenciam diretamente a área efetivamente atendida por cada setor.
Georreferenciamento Aplicado à Perícia Digital
O georreferenciamento representa espacialmente evidências digitais e facilita a análise da relação entre locais, deslocamentos e eventos investigados.
Os Sistemas de Informação Geográfica (GIS) permitem visualizar dados técnicos em mapas interativos utilizando sistemas de coordenadas geográficas, especialmente o WGS84, amplamente empregado por receptores GNSS e aplicações cartográficas.
O Mapas/PCSC utiliza dados do OpenStreetMap e a biblioteca Leaflet para produzir mapas interativos de alta precisão.
Além disso, a plataforma representa automaticamente os setores irradiantes das ERBs e permite ao analista visualizar:
- Posição da antena;
- Direção do azimute;
- Raio de cobertura;
- Setor irradiado;
- Localização geográfica.
Como consequência, o analista interpreta os registros com mais rapidez, reduz erros operacionais e produz análises tecnicamente mais consistentes.
Desenvolvimento da Ferramenta Mapas/PCSC
O Mapas/PCSC foi idealizado por Policiais Civis de Santa Catarina e desenvolvido por Marcos Peron com o objetivo de auxiliar analistas na representação cartográfica de Estações Rádio Base (ERBs) a partir dos registros técnicos fornecidos pelas operadoras de telefonia em cumprimento a determinações legais.
A plataforma automatiza a conversão de informações como latitude, longitude, azimute, raio de cobertura e abertura angular em representações cartográficas dos setores irradiantes das ERBs. Dessa forma, facilita a interpretação espacial dos registros de telefonia móvel e apoia a reconstrução de eventos em investigações criminais e perícias digitais.
O Mapas/PCSC possui caráter meramente ilustrativo, constituindo uma ferramenta de apoio à análise técnica. A interpretação dos resultados e a definição dos parâmetros permanecem sob responsabilidade do analista, que deve considerar as características da antena, da tecnologia empregada e das condições geográficas do local para garantir a fidelidade da representação em relação aos dados fornecidos pela operadora.
Um diferencial da plataforma é o mecanismo de rastreabilidade das análises. Cada mapa gerado produz uma URL exclusiva, vinculada a uma hash criptográfica calculada com base nos parâmetros informados. Assim, qualquer alteração nos dados gera uma nova hash e uma nova URL, permitindo reproduzir, auditar e verificar a consistência da representação cartográfica, reforçando os princípios de integridade, autenticidade e reprodutibilidade da prova digital.
Funcionamento da Ferramenta
O Mapas/PCSC simplifica a análise técnica dos registros de telefonia móvel por meio de um fluxo automatizado. Na etapa inicial, o analista informa os parâmetros técnicos obtidos diretamente nos registros fornecidos pelas operadoras, tais como latitude, longitude e azimute.
Em seguida, a ferramenta realiza o processamento dessas informações, calculando a geometria do setor irradiante e convertendo os dados geográficos em elementos gráficos compatíveis com o sistema cartográfico utilizado.
Como resultado, é produzida uma representação cartográfica da ERB sobre mapa digital, permitindo a visualização espacial dos setores irradiantes. Para assegurar a integridade e a rastreabilidade da análise, cada mapa gerado recebe um hash criptográfico e uma URL exclusiva, possibilitando sua verificação e reprodução futura.
Além disso, a padronização do processo reduz erros operacionais, melhora a interpretação espacial dos registros e aumenta a qualidade técnica da prova digital produzida.
Conclusão
O Mapas/PCSC constitui uma ferramenta de apoio relevante à Perícia Digital e à Geolocalização Forense, pois permite transformar registros técnicos de telefonia móvel em representações cartográficas que facilitam a interpretação espacial das Estações Rádio Base (ERBs) e de seus respectivos setores irradiantes. Sua utilização contribui para a padronização das análises, a redução de erros operacionais e a elaboração de pareceres e laudos periciais mais claros, objetivos e tecnicamente fundamentados.
Destaca-se, ainda, o mecanismo de rastreabilidade baseado na geração de hash criptográfica e de URL exclusiva para cada representação, favorecendo a reprodução, a auditoria e a verificação de eventuais alterações nos parâmetros utilizados. Entretanto, os resultados devem ser interpretados em conjunto com os registros originais fornecidos pelas operadoras e com as características técnicas da rede móvel, considerando que a representação cartográfica não determina, isoladamente, a localização exata de um dispositivo ou de seu usuário.
Dessa forma, o Mapas/PCSC representa um recurso complementar para a análise de dados de telefonia móvel, cuja aplicação, associada à metodologia pericial adequada, à documentação dos procedimentos e à observância da cadeia de custódia, pode contribuir para a produção de evidências digitais mais compreensíveis, rastreáveis e passíveis de verificação no contexto investigativo e judicial.
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